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O Buscar iPhone é realmente preciso?

A Apple apresenta o Buscar iPhone como a solução definitiva para encontrar iPhones, iPads e outros aparelhos da marca que sumiram. Só que, algumas vezes, o aplicativo simplesmente não é preciso, e é bem provável que você já tenha se perguntado por que isso acontece.

Talvez você tenha testado o aplicativo com o celular ali, em cima da mesa, na sua frente, e ele tenha apontado o aparelho a um quilômetro de distância. Ou talvez você tenha tentado localizar sua filha enquanto ela visitava os avós no interior de Minas e o mapa a tenha mostrado a quinze quilômetros de onde ela realmente estava.

Depois de passar por uma situação dessas, vem a pergunta seguinte: por que, então, o serviço acerta em cheio quando você está no centro de São Paulo?

Antes de seguirmos, uma explicação: o aplicativo mudou de nome. Até o iOS 12 ele se chamava Buscar iPhone, e o rastreamento de pessoas ficava num aplicativo separado, o Buscar Amigos. Do iOS 13 em diante a Apple juntou os dois num só, chamado apenas Buscar. A tecnologia continuou a mesma, e muita gente ainda chama tudo de Buscar iPhone; por isso usamos os dois nomes aqui.

Como o Buscar iPhone sabe onde o seu celular está

Antes de tudo: o rastreamento funciona de maneira diferente conforme o aparelho. Um Apple Watch tem especificações distintas das de um iPhone, e os AirPods, outras ainda. Vamos nos concentrar no iPhone.

O recurso se apoia nos Serviços de Localização da Apple, que usam GPS e Bluetooth (quando disponíveis), somados a pontos de acesso Wi-Fi públicos e antenas de telefonia celular, para determinar a localização aproximada do aparelho.

Repare na palavra "aproximada". A Apple a usa com cuidado, porque o que o sistema faz, na prática, é calcular onde o iPhone deveria estar. Juntas, essas tecnologias refinam bastante a estimativa e chegam a um resultado preciso. Isoladas, entregam resultados bem diferentes entre si.

Observação: aqui falamos apenas do iPhone. O rastreamento de outros aparelhos com iOS e iPadOS (o iPad, por exemplo) pode se comportar de forma bastante diferente, porque nem todo modelo tem chip de celular e GPS próprios.

Sinal de GPS

GPS é a sigla de Global Positioning System, um sistema de navegação que usa satélites para determinar a posição de um aparelho. Eles orbitam o planeta e transmitem sinais captados por receptores em terra, que os usam para calcular a posição exata do dispositivo (no nosso caso, o seu celular).

Por mais valioso que seja, o Buscar iPhone não depende só do GPS. Contar exclusivamente com ele atrasaria muito a obtenção da localização, e o problema se agrava se o aparelho estiver dentro de casa ou cercado por prédios altos, que bloqueiam o sinal, algo corriqueiro em qualquer capital brasileira.

Pontos de acesso Wi-Fi

Um ponto de acesso Wi-Fi, ou hotspot, permite que outros aparelhos se conectem à internet sem fio. Quando o seu iPhone se conecta a um deles, envia informações sobre aquele ponto para os servidores da Apple, e o aplicativo cruza esse dado com o que veio do GPS e da rede celular para refinar a posição.

Ao analisar os pontos de acesso próximos, o Buscar consegue estreitar bastante o cerco. Isso ajuda especialmente quando o sinal de GPS está obstruído, porque cada rede conhecida funciona como um ponto de referência a mais para o cálculo.

Rede celular

O Buscar iPhone também tira proveito das redes de telefonia, as mesmas da Vivo, da Claro, da TIM que permitem que você ligue e acesse a internet.

Quando o seu iPhone está conectado a uma rede celular, ele se comunica o tempo todo com as antenas próximas. O sistema mede quanto tempo o sinal leva para ir e voltar entre o aparelho e cada antena da região; comparando esses tempos, calcula a distância até cada uma, e a posição sai do cruzamento dessas distâncias.

Afinal, qual tecnologia é a mais precisa?

Você provavelmente imagina que o GPS é sempre o responsável pela localização mais exata. Nem sempre é assim.

Usar apenas o GPS demoraria demais. Por isso a Apple mantém um enorme banco de dados com pontos de acesso Wi-Fi e posições de antenas de telefonia: são eles que ajudam o iPhone a encontrar os satélites mais depressa e a obter leituras de GPS quase instantâneas quando está ao ar livre.

Ou seja: Wi-Fi e antenas são usados sempre. Quando o GPS está disponível, entra como reforço; quando não está, o cálculo fica por conta do Wi-Fi e das antenas, e é aí que o círculo no mapa cresce. Um quarteirão da Avenida Paulista tem mais pontos de referência do que uma estrada inteira no interior.

Já o Bluetooth entra em cena só em situações específicas: quando há iBeacons da Apple instalados no local. Os iBeacons são pequenos sensores Bluetooth que se conectam automaticamente a iPhones que passam por perto e melhoram muito a precisão em lugares fechados como shoppings, aeroportos e grandes lojas. Como cada sensor tem posição fixa e conhecida, o aparelho sabe na hora em que ponto do prédio está. Por isso, num shopping equipado com essa tecnologia, a localização pode ser mais exata do que a céu aberto.

A precisão do Buscar iPhone na vida real

A precisão varia. Numa cidade movimentada, cheia de iPhones, hotspots e sinal de GPS forte, você pode esperar uma informação bastante exata. Numa área rural, com recepção limitada, pouquíssimo Wi-Fi e sinal fraco ou inexistente, ela fica comprometida.

  • Ao ar livre: num espaço aberto, com o céu à vista, o GPS do seu iPhone provavelmente vai entregar uma localização exata ao aplicativo.
  • Em ambiente fechado: o sinal de GPS pode ficar fraco ou ser bloqueado por paredes e estruturas. O Buscar passa a depender dos hotspots e das antenas próximas, e chega a uma aproximação menos exata, mas ainda útil.
  • Em ambiente urbano: numa região com muitos prédios, o GPS é frequentemente obstruído, e o aplicativo compensa usando Wi-Fi e rede celular.

Vamos ver dois cenários opostos.

Cenário ideal: a cidade grande

Digamos que você esteja no centro do Rio de Janeiro: boas conexões de internet nos cafés, sinal de GPS forte e cobertura celular decente das antenas ao redor. As chances são de que o Buscar mostre exatamente onde o seu aparelho está, provavelmente um pontinho verde marcando a posição. Quando é só o ponto verde no mapa, a localização foi calculada com muita precisão: indo até aquele endereço, você encontra o celular.

No Buscar iPhone, a localização exata aparece indicada pelo ponto verde

No Buscar iPhone, a localização exata é indicada pelo ponto verde

Agora, se a rede celular estiver fora do ar ou o Wi-Fi indisponível, o círculo desenhado no mapa fica maior. Isso quer dizer que o seu iPhone perdido ou roubado está em algum lugar dentro daqueles limites, mais provavelmente perto do centro do círculo. O problema é que essa área costuma cobrir vários quarteirões. Na cidade, um círculo verde largo representa centenas de prédios diferentes.

A precisão do Buscar iPhone quando o Wi-Fi está desligado

A precisão do Buscar iPhone com o wi-fi desligado

E fora do cenário ideal?

Cenário nada ideal: no interior

Onde a conectividade é limitada, o Buscar mostra um círculo bem maior. Esse é o raio de incerteza: a área ampla em que o aparelho pode estar. A cor muda conforme o nível de confiança do aplicativo na informação exibida:

  • Círculo verde grande: indica uma área estimada onde o aparelho pode estar. Não é exato, mas reduz o campo de busca e aumenta suas chances de encontrar o celular.
  • Círculo cinza grande (com um ponto cinza): sinal de que o celular está com recepção ruim, sem hotspots por perto e com GPS fraco. O aplicativo não consegue reunir as informações de que precisa para fechar o cerco.
Um círculo verde maior significa que a precisão do Buscar iPhone está mais baixa

Um círculo verde maior significa que a precisão do Buscar iPhone está mais baixa

Se tudo o que você vê é um ponto cinza, o aparelho não pôde ser localizado por algum motivo: pode estar desligado, sem sinal ou em modo avião.

Um ponto cinza indica que o iPhone não pode ser localizado

Um ponto cinza indica que o iPhone não pode ser localizado

ATENÇÃO: se a bateria acabar, o Buscar ainda mostra a última localização conhecida por até sete dias. Passado esse prazo, a mensagem vira "Nenhuma localização encontrada". Esse é o prazo que a Apple publica hoje; textos mais antigos, inclusive este, falavam em 24 horas.

Há ainda uma terceira possibilidade: estar num país onde a Apple não oferece esses serviços, e aí a mensagem é "localização não disponível" em vez de "off-line". No Brasil isso não é problema: os Serviços de Localização funcionam em todo o território nacional.

O Buscar iPhone é mais preciso do que outros aplicativos de rastreamento?

Depende inteiramente das condições, e a melhor forma de responder é comparar dois extremos.

  • Condição ideal: o celular está dentro de um prédio pequeno, numa cidade grande, numa loja com iBeacons instalados.
  • Condição adversa: o celular está numa área rural, de relevo acidentado e com sinal fraco.

Na primeira situação o Buscar sai na frente, porque tem mais tecnologias para cruzar ao mesmo tempo e chega a uma leitura muito exata. Na segunda, qualquer aplicativo que dependa de GPS entrega praticamente o mesmo resultado, inclusive o da Apple.

Testando as quatro tecnologias uma a uma, a que mais pesou no resultado final foi o Wi-Fi. Não é o GPS, como quase todo mundo imagina: é a quantidade de pontos de acesso conhecidos ao redor que decide se o mapa mostra um ponto exato ou um círculo de vários quarteirões.

Durante anos se repetiu que o Buscar era um dos pouquíssimos serviços com banco de dados próprio de pontos de acesso Wi-Fi, e que só o Google mantinha algo parecido. A primeira metade continua verdadeira; a segunda não. A Apple confirma o banco na própria documentação: o iPhone envia periodicamente, de forma anônima, as posições dos pontos de acesso e das torres de celular que enxerga pelo caminho, e quem tem um roteador e não quer aparecer nesse cadastro pode acrescentar _nomap ao fim do nome da rede (Sobre a privacidade e os Serviços de Localização). O Google mantém o seu. Mas os dois não estão sozinhos: a Skyhook, que fazia esse mapeamento antes deles e hoje pertence à Qualcomm, diz ter bilhões de pontos de acesso catalogados, e empresas como Combain, Unwired Labs e HERE vendem exatamente esse serviço para quem quiser comprar. O que desapareceu nesse meio-tempo foi a alternativa aberta: o Mozilla Location Service, que existiu de 2013 a 2024, foi desativado.

Ou seja, o que diferencia o Buscar hoje não é ter um banco de Wi-Fi. É a rede do Buscar: mais de um bilhão de aparelhos da Apple espalhados pelo mundo que detectam por Bluetooth um iPhone perdido e retransmitem a posição dele ao dono, mesmo que o aparelho esteja sem chip e sem internet nenhuma. Nenhum aplicativo de rastreamento de terceiros tem algo parecido, e é por isso que, quando as circunstâncias ajudam, o Buscar continua sendo o mais preciso que você vai encontrar no iOS.

Se você usa o aplicativo com frequência, já viu esses círculos verdes e cinzas. Mas a Apple oferece também um recurso que mostra um ponto azul na tela.

A verdade sobre o ponto e o círculo azuis

É comum achar que o ponto azul e o círculo à sua volta representam a maior precisão que o aplicativo consegue alcançar.

Mas não é bem assim.

Sim, esses recursos ajudam a estreitar o raio de busca, só que a melhor localização calculada continua sendo representada pelo ponto verde. O ponto azul aparece quando você ativa a Localização Exata nos ajustes de privacidade: com ela ligada, o aparelho usa todos os recursos que tem à disposição para se localizar, em vez de entregar apenas uma área aproximada.

Resumindo: você ganha mais ferramentas, mas a exatidão continua dependendo das mesmas condições descritas acima. Não há nada que comprove que o ponto azul seja, por si só, mais preciso que o verde. Ainda assim, não custa nada ter mais uma opção à mão. Para ativar o ajuste:

  1. Abra os Ajustes do iPhone e vá em Privacidade e SegurançaServiços de Localização.
  2. Role a lista até encontrar o aplicativo Buscar e toque nele.
  3. Ative a opção Localização Exata.

Por que a localização do seu aparelho fica pulando

Como vimos, a posição pode variar ou ficar indisponível. Às vezes a informação fica completamente errada por alguns segundos ou minutos. Por quê?

1. Várias fontes de localização ao mesmo tempo. O Buscar usa GPS, Wi-Fi e sinal de celular em conjunto. Cada atualização depende de quais dessas fontes estão disponíveis naquele instante e de quão fortes elas estão.

2. Leituras inconsistentes. Cada fonte tem suas limitações: obstáculos e recepção fraca de satélite afetam o GPS, e o Wi-Fi pode ser escasso em certos ambientes. O resultado são pequenas variações, ou saltos, na posição exibida.

3. Intervalo entre as atualizações. As atualizações não são em tempo real. Elas acontecem em intervalos regulares, o que aparece na tela como uma mudança atrasada de posição.

4. Oscilação de conexão. Variações no Wi-Fi e nos dados móveis afetam a capacidade do aplicativo de obter e mostrar a localização correta.

Somando tudo isso, é normal notar deslocamentos ocasionais do aparelho no mapa. O Buscar nem sempre é imediato ou confiável quando falta uma peça do quebra-cabeça.

Como melhorar a precisão da localização

Já vimos o que atrapalha. Agora, algumas medidas simples que fazem diferença justamente no dia em que você precisar.

Confira os ajustes do iPhone e do iCloud. Verifique se você está conectado ao iCloud com o seu Apple ID; sem isso o serviço funciona mal e pode exibir a posição errada, como o último lugar de onde você acessou a conta. Depois entre em icloud.com com o mesmo Apple ID e confirme que o iPhone aparece listado. Se não aparecer, você está usando credenciais diferentes no celular e no navegador.

Verifique a data e a hora. Em AjustesGeralData e Hora, confirme que Ajustar Automaticamente está ligado e que o fuso horário está certo. Isso importa mais do que parece, e não é palpite nosso: entre as recomendações da Apple para melhorar a precisão do GPS, essa é a primeira da lista. Os satélites se comunicam com o celular por um sistema baseado em tempo, e uma hora ou um fuso errados atrapalham o cálculo.

Deixe os Serviços de Localização sempre ligados. Desligados, a precisão despenca. E, se o aparelho for perdido ou roubado, entre no Buscar pelo iCloud imediatamente e acione o Modo Perdido: o Bloqueio de Ativação impede que outra pessoa desative o rastreamento.

Não cubra o celular com qualquer coisa. Existem capas ótimas, que não atrapalham em nada; se for usar uma, escolha entre essas. E, para o melhor sinal possível, aproxime-se de uma janela ou saia para a rua: qualquer obstáculo físico reduz a precisão.

Mantenha o aparelho com sinal pelo maior tempo possível. O celular precisa de sinal para que o Buscar funcione. Ficar sem cobertura (no metrô, num subsolo, num estacionamento fechado) deixa a localização instável ou indisponível.

Se o celular foi roubado: o que bloquear, e em que ordem

Circula há anos, inclusive em versões antigas deste texto, o conselho de não avisar a operadora antes de tentar localizar o aparelho, porque, com o chip cortado, o celular ficaria sem sinal e sem rastreamento. Para um iPhone atual isso não vale mais, e vale a pena entender por quê antes de decidir o que fazer com o celular na mão de outra pessoa.

A rede do Buscar não usa o seu chip. A Apple a define como "uma rede colaborativa de mais de um bilhão de dispositivos Apple que usam a tecnologia Bluetooth para detectar a localização de um acessório ou dispositivo e informar a localização aproximada ao proprietário". Quem entrega a posição do seu iPhone são os aparelhos de outras pessoas que passam perto dele, e a conexão com a internet é a delas, não a sua. Por isso as instruções da Apple para ligar o recurso dizem, com todas as letras: "para ver o dispositivo mesmo quando estiver offline, ative a opção Rede do app Buscar". Essa busca off-line vem ligada por padrão desde o iOS 13, e num iPhone compatível com o iOS 15 ou posterior ela ainda localiza o aparelho por até 24 horas depois de ele ser desligado, ou por até 5 horas em reserva de energia.

A ressalva honesta é que isso não é automático para todo mundo. Vale para um iPhone com o Buscar e a Rede do app Buscar ativados, e depende de algum aparelho da Apple passar perto do seu, o que é praticamente garantido no centro de uma capital e bem menos garantido numa estrada vazia. Num aparelho antigo, parado no iOS 12, ou com essa opção desligada, a localização depende mesmo da conexão do próprio celular: nesse caso o bloqueio do chip custa o rastreamento pela rede móvel, ainda que o Wi-Fi continue valendo. No Android a lógica é a mesma, com um detalhe a mais: a Rede Localizador do Google também trabalha por Bluetooth, através de aparelhos de outras pessoas, mas o Google exige que o celular perdido tenha bloqueio de tela (PIN, padrão ou senha) e, para encontrá-lo depois de desligado, um modelo compatível, como o Pixel 8.

Com isso resolvido, a ordem que faz sentido é esta:

  1. Acione o Modo Perdido pelo Buscar em outro aparelho ou por icloud.com/find. Ele tranca a tela, suspende os cartões da Carteira e exibe um recado com o seu contato, sem apagar nada. O Bloqueio de Ativação já está valendo desde o dia em que você ligou o Buscar, e é ele que transforma o aparelho em peso de papel para quem levou.
  2. Bloqueie a linha na operadora. Vivo: *8486 de um celular Vivo ou 103 15 de qualquer telefone. Claro: 1052. TIM: *144 de um número TIM ou 1056 de outro telefone. Basta informar o número da linha, e a Anatel garante atendimento humano gratuito 24 horas por dia para casos urgentes. Isso derruba chamadas, SMS e dados naquele chip, que é o que trava o golpe do SIM swap e o acesso aos códigos do seu banco. É reversível: se o aparelho aparecer, você liga de novo e desbloqueia, e a segunda via do chip mantém o mesmo número.
  3. Registre o boletim de ocorrência. Dá para fazer na delegacia ou pela delegacia virtual do seu estado. A Anatel recomenda o BO, mas não o exige para o bloqueio; ele costuma ser pedido depois, na hora de desbloquear o aparelho recuperado.
  4. Considere o Celular Seguro. O aplicativo do Ministério da Justiça, ligado à sua conta gov.br, dispara um alerta único que bloqueia a linha e as contas nos bancos parceiros e, se você escolher o Bloqueio Total, também o IMEI. A escolha entre os dois modos não pode ser desfeita pelo próprio aplicativo, e o alerta não substitui o boletim de ocorrência.
  5. Decida com calma sobre o IMEI. É o único passo dessa lista que merece dois minutos de reflexão, e está explicado logo abaixo.

Bloquear a linha e bloquear o IMEI são coisas diferentes. A Anatel resume assim: "o bloqueio da linha (SIM Card) impede que ela seja usada em outro aparelho celular e gere custos indevidos. Já o bloqueio do aparelho celular impossibilita que o dispositivo acesse as redes móveis brasileiras". O IMEI entra no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (CEMI), replicado para todas as operadoras do país, e a partir dali aquele aparelho não se registra em rede móvel nenhuma, com chip nenhum. É isso que tira o valor do celular no mercado do roubo.

O custo desse bloqueio não é uma opinião nossa: está escrito na página do Celular Seguro, o aplicativo do Ministério da Justiça. O Modo Recuperação não bloqueia o IMEI de propósito, porque deixar o aparelho aceitar outra linha é o que permite às autoridades chegar a ele; já o Bloqueio Total, nas palavras do próprio ministério, "reduz as chances de recuperação pelas autoridades". Se o seu objetivo é recuperar o aparelho, o IMEI pode esperar. Se o objetivo é que ninguém use nem revenda o celular, bloqueie. O bloqueio pode ser desfeito, mas só por quem o pediu, presencialmente numa loja oficial da operadora, com documento com foto.

O que nenhum desses bloqueios desliga
Nem o bloqueio da linha nem o do IMEI mexem no Buscar. A própria Anatel diz que o bloqueio feito pela ferramenta do fabricante "é feito de forma independente do CEMI", e recomenda ao consumidor acessar o icloud.com/find para localizar e bloquear o aparelho. Ou seja: bloqueie o chip agora, e continue procurando no mapa. Aproveite também para anotar o IMEI hoje, ainda com o celular na mão: você o descobre discando *#06#, e num aparelho de dois chips há um IMEI para cada slot, todos necessários no pedido de bloqueio.

Então, dá para confiar no Buscar iPhone?

Depois de bastante pesquisa e de testes em condições variadas, a conclusão é que o Buscar iPhone é uma ferramenta precisa. Com uma ressalva importante: recepção ruim e GPS limitado em certas regiões afetam o resultado, e nesses casos o que você recebe é uma área, não um endereço.

Quando as circunstâncias são favoráveis (cidade grande, Wi-Fi por toda parte, boa cobertura celular), o Buscar é uma ferramenta confiável, e o fato de a Apple manter o próprio banco de pontos de acesso Wi-Fi e de antenas ajuda bastante nesse resultado. Já num vale sem cobertura, qualquer aplicativo que dependa de GPS entrega mais ou menos o mesmo resultado, inclusive o da Apple.

Perguntas frequentes sobre a precisão do Buscar iPhone

O Buscar funciona em qualquer aparelho da Apple?

Funciona com Apple Watch, Mac, iPad, iPod touch, AirPods e fones Beats, desde que todos estejam registrados sob o mesmo Apple ID. A lista de compatibilidade está no site oficial da Apple.

Como consulto a localização do meu iPhone?

Com o compartilhamento de localização ativado, acesse a página do Buscar e entre com o seu Apple ID e senha. Depois escolha, na lista à direita, qual aparelho quer localizar. Ele aparece no mapa à esquerda. Só dá para rastrear aparelhos vinculados ao mesmo Apple ID.

Quem tem acesso às informações de rastreamento?

A Apple leva a questão a sério e mantém os dados de localização criptografados e protegidos por várias camadas de segurança. Vale lembrar que, no Brasil, dados de localização são dados pessoais protegidos pela LGPD (Lei 13.709/2018), e a inviolabilidade da vida privada é garantida pelo artigo 5º, inciso X, da Constituição. Rastrear o próprio aparelho é uma coisa; rastrear o celular de um adulto sem o consentimento dele é outra bem diferente.

O Buscar é mais preciso na cidade ou na zona rural?

Na maioria dos casos, na cidade. Os pontos de acesso Wi-Fi de cafés, lojas e escritórios são muito mais comuns nos centros urbanos, e as conexões móveis são melhores ali, o que faz os dados de localização trafegarem mais rápido, algo que pesa sobretudo se o aparelho estiver em movimento.

Estar dentro de um prédio ou no metrô atrapalha?

Atrapalha. Quanto mais denso o prédio (um galpão metálico, por exemplo), mais difícil é o sinal entrar e sair, e no metrô a recepção é intermitente na melhor das hipóteses. Outro fator é a linha de visada: o GPS funciona melhor sob o céu aberto, onde alcança mais satélites. Por outro lado, um ambiente fechado com iBeacons ajuda.

Qual rede tem mais precisão: 3G, 4G ou 5G?

As redes mais novas são mais rápidas e estáveis. Como os serviços de localização da Apple dependem da internet para transmitir a posição, cada geração funciona melhor que a anterior: com 4G ou 5G, o Buscar calcula a posição mais depressa, especialmente com o aparelho em movimento.

O modelo do iPhone influencia na precisão?

Tecnicamente, não muito: todos usam tecnologia parecida, e até os sensores de GPS são semelhantes. O que pode pesar é que modelos antigos deixam de receber as atualizações mais recentes do iOS, e são elas que trazem as melhorias sutis de desempenho.

O mau tempo prejudica o GPS?

A resposta curta é não. Chuva, granizo e até tempestades fortes não afetam tecnologias como Wi-Fi e GPS. Fenômenos do clima espacial, como tempestades solares fortes, chegam a interferir na precisão do GPS, mas apenas em situações excepcionais.

A capinha do celular pode atrapalhar?

Pode. A maioria não interfere em nada, mas algumas prejudicam a recepção, em especial as que levam metal, como alumínio, e até algumas de fibra de carbono. A Apple também alerta que fechos magnéticos podem afetar o sinal. O teste mais simples é usar o celular com e sem a capa e observar se há diferença.

A minha operadora tem alguma relação com isso?

Na maioria dos casos, não. Mas a operadora pode, sim, afetar os serviços de localização. Há um caso famoso nos Estados Unidos, em meados dos anos 2010, em que vários clientes da Sprint (uma operadora americana que não existe mais) que usavam o Buscar iPhone foram levados ao lugar errado: mais precisamente, à casa de um aposentado em Las Vegas, sem motivo aparente. Tudo indica que houve um erro nos dados fornecidos pela operadora, que o aplicativo usou para calcular a posição.

Você já percebeu o Buscar dando localizações imprecisas? Sabe de alguma outra coisa que interfira na precisão? Conte a sua história para a gente nos comentários abaixo!

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